O inter-relacionamento entre documentos de Arquivo, Biblioteca e Museu

Memorial - um sistema em definição

Autores

  • Tassila Oliveira de Ramos Instituto Federal da Bahia - IFBA
  • Zeny Duarte de Miranda  Universidade Federal da Bahia - UFBA https://orcid.org/0000-0003-0365-6905

Palavras-chave:

Memória institucional, Memorial, Teoria sistêmica

Resumo

Este estudo destaca a necessidade da existência de critérios teóricos e metodológicos para a implementação de memorial a partir de instituição híbrida, ou seja, composta de documentos de arquivo, biblioteca e museu, sem, no entanto, ser compreendida em um mesmo plano de conhecimento e técnica. Conforme os autores Pierre Nora e Jacques Le Goff, as instituições voltadas para tratar questões relacionadas à memória, guarda e preservação de documentos e artefatos são denominadas de “lugares de memória” ou “instituições de memória”, os quais compreendem arquivos, bibliotecas, museus e outros lugares de registros documentais, considerando-se esses conceitos enquanto espaços onde a memória encontra abrigo. Durante a Antiguidade, o arquivo, a biblioteca e o museu podiam ser uma única instituição, a exemplo do Mouseione da Biblioteca de Alexandria, nos quais, em um mesmo espaço, era possível a guarda de documentos, livros e obras de arte, em um contexto em que não havia divisão de áreas do conhecimento. Porém, na Idade Contemporânea, surge a demanda por mão de obra especializada e, assim, cada área passa a buscar espaço distinto e denominação correspondente à sua própria teoria e prática. Nesse contexto, com o avanço das áreas da ciência da informação e da tecnologia da informação e comunicação, as instituições passam a reunir documentação de variada natureza, gênero, formato, espécie e tipologia para compor acervos com maior abrangência. Daí emerge a necessidade de estudos aprofundados sobre a relação entre memória, documento e informação. No bojo dessas transformações, surge o centro de documentação, entre outras instituições, a exemplo do centro cultural, do centro de memória e do memorial, muitas vezes compreendidos sem distinção entre si. Tal fato leva a discussões complexas e bastante controversas, particularmente diante da amplitude conceitual do que se entende por memorial. Assim sendo, a presente pesquisa, através da revisão de literatura, propõe-se a analisar instituições que possuem, em sua composição, o formato de memorial. Este estudo considera a concepção e a implementação do memorial sob a perspectiva da teoria sistêmica segundo Niklas Luhmann e Armando Malheiro da Silva, uma vez que oferece a possibilidade de compreender o memorial como um sistema orgânico que inclui em seu ambiente o arquivo, a biblioteca e o museu como subsistemas integrados e compartilhados em uma mesma rede, sem nenhuma descaracterização referente a origem, organicidade, ordenação, unicidade e ordem
original dos acervos. Por fim, a pesquisa analisa o inter-relacionamento entre documentos de arquivo, biblioteca e museu em um memorial.

Biografia do Autor

Tassila Oliveira de Ramos, Instituto Federal da Bahia - IFBA

Arquivista do Instituto Federal da Bahia (IFBA). Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (PPGCI/UFBA)

Zeny Duarte de Miranda , Universidade Federal da Bahia - UFBA

Doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Coordenadora do G-Acervos – CNPq. Memorialista. Professora Titular da UFBA. 

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Publicado

2021-04-10

Como Citar

Ramos, T. O. de, & Miranda , Z. D. de. (2021). O inter-relacionamento entre documentos de Arquivo, Biblioteca e Museu: Memorial - um sistema em definição. Revista Fontes Documentais, 4(1), 68–85. Recuperado de https://aplicacoes.ifs.edu.br/periodicos/fontesdocumentais/article/view/786

Edição

Seção

Informação, Cultura e Patrimônio